22 setembro, 2014

Os detalhes

     A fotografia é dependente da luz, mas nem a melhor luz faz uma boa foto. O fotógrafo em essência tem que ser um caçador incansável de detalhes e ter sempre um olhar aguçado para ver e reparar o ambiente qual o cerca. O mestre em fotografia, Araquém Alcântara, sempre destaca em seus pensamentos sobre a arte fotográfica, a importância do constante exercício do ver, e mesmo que sem a câmera, é importante estar imaginando fotos, ângulos e luz ideal.
    Acreditar sempre na foto e não desistir dela, mesmo que demore horas, dias, com condições adversas é outro ponto essencial, pois quando visto o detalhe, que pode se transformar em arte em suas lentes, é preciso ter paciência, mudar o ângulo, aproximar, distanciar e usar os recursos possíveis para conseguir o êxito previsto pelo fotógrafo. 
    A experiência do olhar pode ser aperfeiçoada com um vasto repertório de livros, conhecendo obras de fotógrafos, musicas e artes em geral. Mas sempre é importante não esquecer que cada um trás em suas fotos algo subjetivo, uma marca, e com o tempo todos nós devemos desenvolver um estilo diferente e jamais visto.
    
     As fotos abaixo foram todas feitas na Serra da Bocaina, no estado do Rio de Janeiro, nelas busquei me empenhar ao máximo para conseguir o melhor instante para a foto.





     "O olhar do fotógrafo está constantemente avaliando. Um fotógrafo pode captar a coincidência de linhas simplesmente ao mover a cabeça uma fração de milímetro. Pode modificar a perspectiva com um leve dobrar de joelhos. Ao colocar a câmara próximo ou distante do objeto, o fotógrafo pode desenhar um detalhe - ao qual toda a imagem pode ficar subordinada ou ainda que tiranize quem faz a foto. De qualquer modo, o fotógrafo compõe a foto praticamente na mesma duração de tempo que leva para apertar o disparador, na velocidade de um ato reflexo". - Henri Cartier-bresson em O Instante Decisivo 





Curtam minha pagina no Facebook: www.facebook.com/victorchahinfotografias

Belezas naturais de São Paulo.



09 agosto, 2014

Surge uma Arara

Eram por volta das 10 horas da manhã em um silencioso remanescente da Floresta Amazônica, próximo as margens do Rio Cristalino, em Alta Floresta-MT. Fazia um calor de 35 graus; a mata inteira descansava de mais um amanhecer movimentado e disputado.
Posicionados em uma torre de observação, no meio da mata, a 30 metros de altura, podíamos ver o horizonte; nele o verde das copas das árvores se encontravam com o azul do céu. Tudo muito quieto, estava. Tentávamos imaginar toda a biodiversidade, que vivia por debaixo daquelas imensidão verde. Olhávamos para todos os lados, contemplando o que deveria ser eterno.
 Foi quando o horizonte trouxe, solitária a voar, uma linda Arara-canindé; seus gritos quebravam o silencio da mata e seu azul e amarelo traziam novas cores para o momento. Então a fotografia começou a entrar em cena, mas antes do primeiro clique, veio a imaginaçao, o desejo do fotógrafo de que aquela ave voando, pousa-se em um determinado galho próximo a torre, onde a luz estava perfeita.
A Arara veio se aproximando de frente, ao chegar próxima a torre, começou a circular, como estivesse a procura de algum lugar para descanso. E como um sonho, ela estava la, pousada exatamente no galho imaginado. Parecia que o acaso do momento era na verdade algo ensaiado. E sem esperar muito, começamos a fotografa-la.
Quando tudo não parecia poder ficar melhor, a natureza mostrou conseguir transformar um momento belo, em mágico, pois minutos após a Arara pousar, um bando de outras 5 chegou, circulou a torre e pousaram em galhos próximos.
A foto. Araras são aves grandes e podem ser muito agitadas, nesse dia, elas pareciam disputar o melhor lugar para ficar, e ficavam brigando para ver quem conseguia. Foi nessa disputa, em que consegui esta foto, a qual valeu o dia.



"O verdadeiro fotógrafo da natureza, como de resto qualquer fotógrafo, deve escolher o caminho com o coração e nele viajar incansavelmente, contemplando como pessoa inteira tudo o que é vivo. Absolutamente íntegro, sem propósito a alcançar, sem submissão a regras e fórmulas, sem necessidade de parecer brilhante ou original. Só assim, autêntico e livre, pode captar o espírito criador em movimento e criar coisas belas”. Araquém Alcântara



São Paulo-SP,  9 de agosto de 2014. 


Belezas naturais de São Paulo.

03 junho, 2014

Salvem o Tanquã! - A proposta de construção de uma barragem, no Tanquã, ameaça causar impactos no ecossistema e prejudicar vida de moradores locais.

    Imaginem especies incríveis de aves, peixes e mamíferos sendo praticamente decimadas de um local considerado um refugio para a vida. Imaginem também, moradores ribeirinhos sendo diretamente prejudicados. É exatamente esse o temível destino do maravilhoso Tanquã. 
     Localizado próximo a cidade de Piracicaba-SP, o bairro Tanqua, é reconhecido como o "Pantanal Paulistano" por sua enorme concentração de especies de aves aquáticas, as quais sobrevivem a anos em uma lagoa limitada devido a antropomorfização do ambiente. A construção da barragem selaria o caixão dessas aves e outras especies, pois não teriam para onde fugir, quando as margens do Tanquã começarem desaparecer.
     Com Rafael Fortes, guia especializado em aves, fui conhecer esse refugio da vida no mês de março de 2014. Como inúmeros locais do Brasil, o Tanquã, me limitada a fala, pois não a palavras que descrevam o local. Portanto, esse é um dos motivos pelos quais, para sempre me ajudar a descrever o local, levo uma câmera.
      Uma das especies mais raras que pode se extinguir da região é o Socoí-amarelo (Ixobrychus involucris). Essa ave nos permitiu uma aproximação incomum e pudemos observa-la caçando pequenos peixes por longos minutos.